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Batida de cuidado com massa de chocolate e morangos no topo (bolo do aniversário do cap)

Bicho já não sei mais de nada

Mix de sentimentos fervendo e efervescendo ao mesmo tempo

Eu consigo sentir umas seis coisas acontecendo e sendo processadas ao mesmo tempo dentro da minha cabeça e do meu coração.

Primeiramente, a sensação delas todas juntas me causa uma agonia extrema. Uma vontade de gritar e sair da minha própria pele, de silenciar tudo lá dentro e poder respirar e descansar em alguma paz que desconheço. Essa sensação incita uma solidão terrível, tenho medo de envolver pessoas nessa massa amorfa de sentires e devires que é o meu interior, encapado com uma "face card" bonitinha. Recentemente tenho recebido muitos elogios, aprendi esse termo, tenho me colocado mais no mundo e tentado tecer novas redes. Ao mesmo tempo em que faço a manutenção desse muro e mantenho afastados os outros que vejo nos demais e que sinto desejo e curio de aproximar e conhecer mais.

Agora, sobre uma tentativa de listar esses processos de deglutição da realidade e de vomitar em palavras o que tá preso e acontecendo aqui dentro, nessa regiao do peito pro topo da cabeça com uma pressão e dificuldade de respirar, com dor nos olhos, pés, pernas, braços, punhos, dedos, costelas... Com os barulhos que me cercam enquanto escrevo dentro do ônibus, com as luzes dos carros na pista escura e noturna, digo:

  1. O vazio que se transpõe em saudade, o desejo de alguém que tanto nao /me/ quer, quanto não está ou o é. Um desejo imenso de emendar essa estrada até outro destino e só aparecer lá. O riso frouxo por já ter feito uma dessa antes e falhado tão miseravelmente. Já fui tanto atrás, de tantos que não existiam mais, de tantos que não me queriam e ansiavam uma proximidade controlada, controlável, fluida. Se, no verbo, me quer tanto. Se diz, com tanta firmeza amar e desejar, e não querer o distanciamento completo e o desconhecer... por que não pode construir um outro querer tão mais gostoso de se acompanhar e estar a dois? Por que parece que, todas as vezes, escolhem não continuar enquanto insistem tanto me desejar? Será que realmente sou essa imagem que, vez após vez criaram e desejaram?

  2. A sensação de incapacidade de produzir segundo outra norma. A dor vem na cabeça assim que começo a tocar nesse sentir. Eu preciso estar produzindo para estar vivo. Eu preciso estar produzindo para estar vivo? O quanto preciso estar ativo para ser considerado vivo? Como dividimos seres vivos e não vivos? O quanto é necessário de um agir para ser definido quanto animal racional humano pensante coisa que anseia e relaciona?

Será que essa tentativa nova de se colocar no mundo e reunir meus trabalhos e pensares e agires vai me surtar? Eu ja to surtado? Eu já to surtando. Eu sei que eu vou produzir e eu sei que eu vou colocar no mundo. Eu já decidi isso. É estar vivo e lutando. Mas... eu aguento lutar mais? Eu aguento me reafirmar mais? O quanto que piscar forte e me lembrar de respirar mais eu aguento?

  1. Esse desejo a mais de relacionar e viver é só um fogo que se eu for atrás vai me dar muita dor de cabeça e trabalho relacional? Eu estaria usando meus amigos, conhecidos? Eu estaria consumindo relações e /pessoas/? Eu quero deglutir esses afetos esporádicos e mimetizar uma relação com o mundo baseada em trocas libidinais físicas e intimistas? Ou... talvez (na verdade, certamente...) o que eu esteja buscando sejam conexões que podem muito bem ser construídas no verbo, no toque leve, na descontração? E se, na verdade, o ideal não for acontecer propositalmente mas sim ir deixando ser e sem planejar o ato com o outro? O sentir de verdade puxando. Não preciso me sentir na obrigação de cumprir um papel ou uma função, de suprir um desejo ou de manifestar um posicionamento. E se eu puder só estar nessas relações? Além de "só ser", só estar? Me sinto cansado de tantas conversas sobre "você quer" isso ou aquilo. As coisas que eu quero só interessam a mim, e mudam constantemente. Acho que idealmente eu me encontraria mais no apenas ter essa relação e sentir a segurança dela. A presença. A confiança. A troca. O abraço. O carinho. Sem o eu, sem o você, sem o outro, sem o limite corpóreo que nos define. Mas sim um "estamos em relação mesmo quando estamos longe e sem contato", para que quando esse contato esteja acontecendo, nao seja um sentir alienígena, um devir novo, mas sim um estar em confiança, estar em desejo, estar em carinho. No fim, estar em cuidado, em cultura.

  2. tenho me perguntado muito sobre a relação etimológica entre cuidado, cultura, curiosidade... todas parecem advir de uma mesma ideia de desejo por conhecimento e presença. O quanto eu consigo traduzir isso nas minhas relações?

  3. Meu deus... eu preciso chegar em casa e arrumar o meu quarto. Eu quero muito separar minha mesa de trabalho e me autopossibilitar as chances de sentar e produzir sem escala sem ordenação sem direção. Eu quero criar. Nossa, como eu quero criar...

Me sinto cansado, e com muita dor no corpo inteiro.

Pelo que eu entendo, nem tipo, Einstein, buscou ter certeza né?

#diario