Perder-se ao entremear
Tenho buscado construir alegria em espaços que não o casulo. A orientação direta foi não me deliciar com os chamados da cama quentinha no quarto escurinho.
Meu quarto passou um tempão fechado. Janelas com uma frestinha para o ar dançar, cortinas fechadas para a manutenção da bat-caverna. Um caos de bagunça de itens de artesanato e roupas pra todos os lados. Papel picado pra todo canto. E em qualquer momento minimamente frustrante ou de ócio... deitar em berço esplêndido. Apesar de uma prática de autoregulação excelente, com momentos de reflexão ricos, acabo batendo de cara na solidão e na nostalgia.
Quando foi a última vez que eu fiquei tão contente e alegre em não estar em casa? Ao mesmo tempo em que, quando doi a última vez que fiquei contente e alegre, em casa? Ambos os cenários me remetem à amigos e primos. Ao riso frouxo e bem acompanhado, ao suspiro de alívio e ao olhar torto de incômodo. Cada interação com essas pessoas queridas sendo um ponto chave de troca e desejo de mais.
É nesse desejo de mais que as coisas caminham. Se desenvolvem. Incrivelmente se transformam. E as vezes, o sentir é tão potente que embebeda. Embriaga. A gente fica tão em prazer, em estado de elevação de consciência e visão de outros mundos possíveis, que o ápice vem e como um choque se espalha por todo o corpo. Se transforma em mais e mais afetos.
No meio dessa práxis, do desejo e da atuação a transformação do Real, acreditando que uma mudança que já mantenha um dos nossos que seja, conosco por mais tempo, muitas vezes eu me perco. É como um desligar na mente. As luzes se apagam, o fio desconecta. Eu sinto um rebuliço similar ao balanço que sentimos ao estar num barco, dentro da cabeça, atrás da testa. Algumas vezes dura horas, outras minutos. Eu sinto a ressaca respondendo à toda essa química chegando e modificando meu estado de ser e agir, até que tudo dói e eu preciso desacelerar e reiniciar.
Eu me perco no entremear, por tanto querer mais, quanto querer a partir desse mais construir espaços de segurança e descanso. De proteção ao ser e ao desejo, da enfim consolidação de um conceito real de Liberdade.
No momento, tô tonto. Tô tonto e quero dormir umas 20h. Mas ontem e hoje eu fui presenteado com o ser e estar de mis amigues. Só a galera braba!